Os Terapeutas do Riso:

levando alegria para os hospitais

 

Para esta edição, o nosso Jornal entrevistou, no dia 22 de outubro de 2003, os Terapeutas do Riso, um grupo  formado  por   quatro profissionais da arte e da dança, que dedicam suas vidas para ajudar pessoas  internadas nos hospitais a se recuperarem das doenças, através do riso.

 

Edmar Dias(Dr. Bacurau), Dalvina Gomes (Dra. Ciranda),Fabrício Rios (Dr. Batuta) e Tânia Soares (Dra. Girassol) resolveram fazer este trabalho a partir do bom resultado obtido após uma apresentação realizada por eles, chamada GARGALHADA NO HOSPITAL. Com isto o grupo resolveu investigar sobre as causas e efeitos do riso em pacientes hospitalizados. Foi quando surgiu o grupo TERAPEUTAS DO RISO.

 

Aprendemos e nos divertimos muito com a entrevista. Acompanhe...

 

1- Como surgiu o grupo?

Dr. Bacurau: O grupo surgiu em 1996. Começamos fazendo um trabalho na pediatria do Hospital João Batista Caribé com o intuito de levar arte, teatro e circo ao ambiente hospitalar. Deu tão certo que resolvemos estender para outras unidades hospitalares. Há dois anos estamos aqui no Hospital Santo Antônio, 3 vezes por semana.

Dra. Ciranda: A partir de uma apresentação chamada Gargalhada no Hospital e com os bons resultados da apresentação, resolvemos investigar sobre as causas e os efeitos do riso: foi aí que surgiu o grupo Terapeutas do Riso.

Dr. Bacurau: A minha avó dizia: rir é o melhor remédio. Aí, eu levei a sério, até hoje eu vivo rindo :-))) e por isto que eu gosto de rir :-))). Porque quando você ri, exercita os músculos do rosto e cria menos rugas,quando rimos liberamos endorfina que é bom para o organismo e um analgésico natural. Além do que,  rir é de graça, uma gargalhada equivale a 10 braçadas, é bom para o pulmão, coração, irriga os vasos sangüíneos, etc.

2- O que vocês sentem quando vêem uma criança sorrir no Hospital?

Dr. Batuta: Nosso sentimento é de contentamento, de poder trazer uma alegria para o outro, porque a vida precisa de alegria, precisamos sorrir mais. Quando o outro sorri, ficamos felizes.

Dra. Girassol: O riso é contagioso, uma criança ri, a gente ri e de repente todos estão rindo: é uma corrente!

3- Quando vocês encontram uma pessoa triste no hospital, como vocês fazem para ela rir?

Dr. Batuta: Nós fazemos uma paródia com os procedimentos médicos, "porque nós somos 'médicos'... palhaços" :-))) ... Às vezes o sorriso sai no momento, mas o riso e a emoção também sai, um sorriso, um alívio.

Dr. Bacurau: O ambiente hospitalar já é triste, mesmo numa pediatria bonita como a nossa, a criança quando chega não quer conversa, tem medo da roupa branca, que lembra as furadas, picadas da injeção. A gente brinca de truques de mágica, malabarismo, tudo para a criança se adaptar ao ambiente hospitalar. Na música a gente procura fazer troca de palavras, para ficar mais engraçada. A nossa proposta é diminuir o stress da internação e ajudar no processo de cura.

4- O que vocês mais gostam?

Dr. Bacurau: Eu, de caldo de cana com Pastel.

Dra. Ciranda: Eu gosto de vir para o Hospital.

Dra. Girassol: Eu gosto de sorvete de nata de goiaba.

Dr. Batuta: Eu gosto de nadar.

Dra. Girasol: É porque ele não faz nada!!... :-)))

5- Um dos nossos alunos ficou quase um ano internado, teve depressão... Certamente, se vocês estivessem lá, ele ficaria mais feliz.

Aluno- Eu tive depressão, fiquei nervoso e brigava com todo mundo.

Dra. Ciranda: Por que você não ligou pra gente ir lhe visitar, criatura !!!! :-))

6- Quando vocês ficam sérios?

Dr. Bacurau: Quando eu vou pagar a conta do supermercado...

Dra Ciranda: Quando chega a minha conta de telefone...

Dr Batuta: Fico sério no trânsito.

Dra Girasol: Quando eu solto Pum... :-)))

7 -O que os seus parentes e amigos acham deste trabalho?

Dra Ciranda: Por incrível que pareça, eles acham uma palhaçada... Isso me revolta, pois nós somos profissionais sérios, mestrados, doutorados e viajados, o povo ainda ama a gente de palhaço, nós somos 'médicos'... :-)

Dr. Batuta: Eles acham uma pataquada! :-))... Estou brincando: os meus amigos e parentes tem muito orgulho de mim, por fazer este trabalho.

Dr. Bacurau: As pessoas que estão mais próximas de mim, acham muito legal.

Dra. Girassol: Tem gente que gosta e é fã, mas tem gente que acha que é maluquice. Mas eu gosto deste trabalho.

8- O que vocês fazem quando uma pessoa não quer saber de vocês?

Dr. Bacurau: Tem que ter bom senso: se a pessoa não quer, você tem que respeitar e tentar conquistar aos pouquinhos; primeiro coloca a cabeça, depois o pé, depois o corpo todo, diz uma piada. E vai tentando conquistar a pessoa...

9- Como é o trabalho com alcóolatra ?

Dra. Ciranda: O trabalho com alcóolatra já existe aqui nas Obras Sociais Irmã Dulce e nós já fazemos este trabalho. Mas agora fomos convidados a investirmos mais, porque é muito difícil a recuperação para quem vai fazer este tipo de tratamento. A própria pessoa é que procura a internação. Nós fazemos oficinas junto com psicólogos e assistente social.

Dr. Bacurau: O trabalho é novo. Muitas pessoas lá, não se consideram doentes, são boêmios, pessoas que gostam de curtir a noite e nós usamos isto a nosso favor. Músicas, piadas inteligentes, sem infantilizar: é uma linha completamente diferente.

10- O que vocês acham da igreja de Irmã Dulce?

Dr. Ciranda: Legal, eu sempre fui a garota propaganda da igreja, pedindo as pessoas que comprassem os tijolinhos.

11 -Como uma pessoa pode participar deste trabalho?

Dra. Girassol: Nós promovemos cursos. Neste ano já foi realizado um e no ano que vem teremos outro. E com as pessoas que participam do curso realizamos uma série de entrevistas e depois escolhemos para fazer o estágio, que dura 6 meses. É feita uma avaliação e uma seleção. Vamos fazer um curso de pós-graduação de palhaço :-)) , no dia 4 de novembro deste ano.

 

ENTREVISTADORES (clique aqui para ver a foto) :

Uilton, Hélio, Mércio, Regivaldo, Fernanda, Sandra, Fádia, Neilton, Alexandre

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