- Como o CVI começou? Há muito tempo, nos Estados Unidos (anos 60) já existia um processo de inclusão, pequeno, quase nada. As pessoas com deficiência não tinham o direito de decidir o que queriam. Então, um grupo de deficientes mais graves resolveu participar da sociedade, buscando o direito de opinar. A deficiência é só mais uma característica do ser humano. Não quer dizer que devamos viver segregados. Então resolveram ir para as ruas, protestar. Começou um movimento junto às universidades com o pedido de rampas de acesso: a maioria das pessoas deste movimento na época eram deficientes físicos. Através desse movimento das universidade, que foi a primeira conquista, é que foi criado o CVI. Desde esta criação eles prestaram serviços na formação de atendentes, ou seja, treinamento de pessoas para lidar com a pessoa com deficiência. Além desta formação de pessoal, o CVI também prestava um serviço de Aconselhamento de Pares, o que se faz no dia-a-dia, são indicados lugares de atendimento na comunidade. O CVI trata também da acessibilidade física, rampas, Braille, tudo o que melhore a qualidade de vida das pessoas. O CVI também tem uma luta política e uma organização de cidadãos, em que briga para que os direitos sejam garantidos, através da participação de conselhos estaduais e municipais. A organização é feita para tornar a pessoa com deficiência mais produtiva, a partir de uma sociedade melhor. - Você trabalha no CVI só porque tem um problema físico, ou não? Não posso afirmar se eu estaria ou não em outras circunstâncias, até porque eu conheci o CVI por causa da deficiência. O CVI não é só para pessoas com deficiência. Também trabalham pessoas que não têm deficiência. A nossa luta é uma luta pela inclusão social, para que a sociedade se prepare para acolher todas as pessoas, com deficiência ou não, na sua diversidade.
- Por que as empresas não diminuem as exigências para as pessoas com necessidades especiais? Acho que existe muito medo. O medo que vem da falta de informação. O próprio termo necessidade especiais espanta as empresas, as escolas. E não é uma necessidade especial, mas, sim, uma necessidade específica. Quem tem medo, se arma de exigências. Quando, na verdade, eles desconhecem a pessoa com deficiência, desconhecem que os custos das adaptações são muito pequenos, em relação aos ganhos que eles podem alcançar. - Há preconceito no mercado de trabalho em relação a pessoas com deficiência física? Acho que sim. E isso é o grande responsável pela pouca participação no mercado de trabalho. Cabe a nós lutarmos para chegarmos lá, e não ficarmos escondidos, sem mostrar nossa capacidade. - O que você acha das cotas para pessoas com deficiência no mercado de trabalho? No mundo inteiro existe o sistema de cotas. O objetivo é aumentar o número de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Mas esse objetivo, só com as cotas, não é alcançado, se as pessoas não têm condições para estar nesse mercado. Condições como a escolaridade, porque você não pode ir à escola porque depende de um transporte adaptado, existem escadas nas escolas, faltam materiais adaptados, professores capacitados... Se não são dadas as condições de se chegar ao mercado de trabalho, às vezes existem cotas, e essas cotas não são atingidas. A lei obriga as empresa, mas não há pessoal capacitado. Só a cota não é suficiente: têm que haver ações de vários setores do governo, possibilitando a escolarização, os transportes e, por parte das empresas, o treinamento.
- Existe algum lugar para onde podemos enviar o nosso currículo? Tem sim, tem o Capaz, que é ligado à Secretaria do Trabalho e Ação Social, na Avenida Sete, algumas associações, como a Abadef e Apada, o Codef. - Qual foi o seu maior desafio: aceitar a deficiência ou enfrentar a sociedade? Enfrentar a sociedade é mais difícil, porque você não está enfrentando uma pessoa só, que é você mesma. Na sociedade, para todo canto que você vá, existe uma barreira; quando não é a barreira física, é a barreira do preconceito, da atitude. E quando você acabou de conscientizar o pessoal da escola, por exemplo, chega gente nova e você tem que começar tudo de novo. Acho que a luta com a sociedade é muito mais constante, acho mais complicado. Entrevistadores: Mércio, Ana Carla, Neilton, Uilton, Regivaldo, Fernanda, Alberto, Daniela, Elsimar, William, Valdir. |